
Em agosto a Vitoria me mandou esse artigo da InputMagazine que havia sido publicado em junho e falava sobre o Photo Dump. Pra quem nao sabe, o photo dump é um “tipo”de post onde você posta vairas fotos que nao fazem muito sentido uma com a outra em um carrossel, so pra postar as coisas que voce tem no seu rolo da camera mesmo.
Achei fofinho que a matéria ainda fala “se uma foto vale mais que mil palavras, um carrossel de photo dump é praticamente um livro”.
O artigo fala que com a pandemia, em um tempo de muito luto, perdas e melancolia, fazer a curadoria do seu feed virou algo do passado. Uma influencer falou como essa prática do “photo dump” é uma especie de diário, um scrapbook da vida dela. Vida real. “eu odiava como eu tava acostumada a me importar com um tema ou como as pessoas me viam” Sannah Kim, 21. Aparentemente até Kim Kardashian e Bella Hadid ja adotaram a “trend”.\
É engraçado porquê quando o Instagram anunciou as mudanças esse ano, o carinha falou que “o Instagram não é mais uma rede social de compartilhar fotos quadradas” e de fato não é. Mas se esse virou nosso maior passatempo, porquê a gente capitalizou e “formalizou” até isso?
Ja num outro artigo da Daily Californian, a escritora Zara Koroma fala sobre como o Instagram virou tão toxico e parou de ser um lugar agradável, se transformou num lugar onde as pessoas só pensam em transformar tudo em business e e estão obcecadas com a perfeição (inclusive no photo dump, provavelmente existe uma seleção do que há de melhor a ser postado).
Já tivemos a onda dos “finstas”e dos “secret accounts” onde pessoas tinham “contas secretas”, mas de acordo com um artigo na revista digital Dazed, a ideia do #MakeInstagramCasualAgain é uma forma de anarquia na rede social. Postar qualquer coisa, sem filtro, o que te der na telha, sem pensar em impressionar ou agradar as varias formulas de sucesso na rede social”
Essa pira pelo feed perfeito, também conhecida como vida perfeita, é tão doida e grandiosa, que no documentário “Fake Famous”(disponível na HBO GO) os produtores criam um experimento, simulando vidas falsas e comprando seguidores no Instagram, para criar esse frissom em volta de pessoas comuns e veem até onde essas pessoas conseguem ir com essa nova moeda, a do poder de influência digital.
O movimento “Casual” pode ter surgido no TikTok, onde o público (principalmente a geração z), postava qualquer coisa no app sem medo de ser julgado, visto que poucas pessoas que eles conheciam de fato os seguiam. Então a sensação de liberdade para postar o que quisesse era muito maior! Há quem diga que o TikTok foi o inicio da antítese do Instagram por libertar as pessoas dos padrões de beleza etc, eu acho que é mentira, o tiktok criou novos, vide os problemas com o corpo e transtorno alimentares que aumentaram depois da popularização do tiktok.
Eu acho mto importante a gente constantemente se questionar sobre as coisas que estao acontecendo, principalmente no brasil sabe. Pensa: uma pandemia rolando, um desgoverno apoiado por milhares de pessoas conservadoras que só pensam em si mesmo e possivelmente até te agrediriam por pensar ao contrario, inflação nas alturas tornando coisas cotidianas, como ir ao mercado, algo extremamente inacessível a grande parte da população, mudanças climáticas e ainda ter esses “afazeres”: “Tire foto de tudo, edite-as constantemente, poste com frequência. Lembre-se que não importa se você realmente está se divertindo, o importante é parecer que sim.”
Ja estou há um tempo pensativo sobre como as redes sociais estão insustentáveis, como elas são o ápice do capitalismo numa especie de espetáculo do consumo, onde o consumo por si só virou uma forma de conteúdo, que vira uma forma de entretenimento e que vira numa forma de consumo de novo.
E eu vi um post da Nataly Neri falando sobre como a criação de conteúdo virou uma obrigação e um video simples só com as palavras e a opinião do criador de conteúdo não bastam mais. Tudo passou a precisar ser um espetáculo pirotécnico pra chamar a atenção de pessoas que ja consomem conteúdos de mais de gente que está sedente pela sua atenção.
E tudo isso pra vender um estilo de vida, produtos, beleza, etc…
Vendo esse role do Make Instagram Casual Again, pensei que isso também é uma falácia: é preciso ser bastante privilegiado pra não se importar tanto assim com seu instagram. Considere que a classe trabalhadora nem sempre pode se dar ao luxo de só postar coisas “casuais”, que o Instagram virou um espaço muito importante para vender seus produtos ou serviços e você tem que se debater entre gigantes e duelar diariamente com o algoritmo e a própria ansiedade para aparecer e vender mais para, em muitos casos, SOBREVIVER.
Eu acho o que um instagram casual é realmente maravilhoso e muito mais livre e nos pressiona muito menos. Mas pense que as pessoas que estão encabeçando esses movimentos (como sempre) são de uma elite padrão que não só editavam as fotos, mas já conseguiram editar a própria vida pra fazer com que “momentos casuais” não pareçam mais tão casuais assim.
Sei lá, o espetáculo da vida privada que o Instagram criou não é saudável.
Mas esqueçam tudo isso que eu acabei de falar quando eu postar um novo carrossel de um massageador de pedra ridiculamente caro que eu comprei pra cuidar da minha pele e parecer mais bonito pra poder ganhar mais likes. Provavelmente eles ja instalaram um chip nos nossos cérebros.
Fontes:
https://www.dailycal.org/2021/06/22/make-instagram-casual-again/
https://tinytrips.com/articles/make-instagram-casual-again
https://www.dazeddigital.com/life-culture/article/51505/1/instagram-casual-posting-antithesis-aesthetic-influencer-culture
https://www.inputmag.com/culture/instagram-photo-dump-trend-captions-meaning-kim-kardashian-kylie-jenner-bella-hadid-emma-chamberlain
https://www.inputmag.com/culture/instagram-photo-dump-trend-captions-meaning-kim-kardashian-kylie-jenner-bella-hadid-emma-chamberlain